Edição 2026
Resistência
Tempos e memórias

Linguagens de Resistência: arte e literatura durante o Estado Novo
Conferência
Conferencista
Luís Trindade - IHC, NOVA FCSH

Resumo da Conferência
Linguagens de Resistência: arte e literatura durante o Estado Novo
As formas de resistência literária e artística ao Estado Novo foram fortemente condicionadas pelas condições de repressão instituídas pelo regime. Nas várias áreas da vida cultural, estes condicionamentos foram sobretudo colocados, naturalmente, pela censura, ainda que muitos intelectuais e artistas tenham também sofrido a vigilância e violência da polícia política. Um outro traço do regime, porém, acabaria por produzir um impacto decisivo na criação artística. De facto, a própria duração do salazarismo afetará os criadores com um sentimento de inevitabilidade e eternidade, como se a “situação” (como então se dizia) estivesse ali para sempre. Naturalmente, este impacto foi-se fortalecendo à medida que o próprio Estado Novo ia acumulando décadas de existência, sendo particularmente visível a partir dos anos 50. Mais especificamente, veremos proliferar, no romance e na literatura, no cinema e na música popular, linguagens de resistência que, mais do que a revolta ou a subversão, exprimirão um desconforto, ou mesmo desespero, com o que é então sentido como um contexto histórico asfixiante e sem horizontes. É o momento em que um cantor como José Afonso fala de ‘silêncio aflito’ ou um cineasta como António Cunha Telles dá o título de Cerco a um dos seus filmes, ou em que poetas insistirão num imaginário de bloqueio, como Egito Gonçalves, ou de apodrecimento, como Alexandre O’Neill. Nesta apresentação, procurarei sistematizar e analisar a proliferação das manifestações artísticas deste desespero, em que a luta contra o regime resistiu, mesmo quando já parecia ter perdido qualquer horizonte se esperança.
20 de fevereiro de 2026
11h30
Auditório B204 do Iscte (Ed.2)
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